<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-6901619208003528257</id><updated>2012-02-16T14:43:14.228-08:00</updated><title type='text'>Textos de Escrevinhações</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://saramar-textosdeescrevinhaes.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6901619208003528257/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://saramar-textosdeescrevinhaes.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Saramar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13819273331071129441</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_JIb0MX4kGQQ/Rgckv_K9QiI/AAAAAAAAAlA/h7tlJobJs8A/s200/nada.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>8</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6901619208003528257.post-4883730387384951198</id><published>2010-08-19T18:20:00.000-07:00</published><updated>2010-08-19T18:20:18.880-07:00</updated><title type='text'>SEGUNDA AMEAÇA</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;strong&gt;Míriam Leitão&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;strong&gt;(O Globo, 18/08/10)&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;O Brasil perderá esta eleição, independentemente de quem vença, se ficarem consagrados comportamentos desviantes assustadoramente presentes na política brasileira. Uso de um fundo de pensão para construir falsas acusações contra adversários, funcionários da Receita acessando dados protegidos por sigilo, centrais de dossiês montados por pessoas próximas ao presidente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;A cada eleição, fatos estarrecedores têm sido aceitos como normais na paisagem política, e eles não são aceitáveis. Quando a Polícia Federal entrou no Hotel Ibis, em São Paulo, em 2006, e encontrou um grupo com a extravagante quantia de R$ 1,7 milhão em dinheiro vivo tentando comprar um dossiê falso, havia duas notícias. Uma boa: a PF continuava trabalhando de forma independente. A ruim: pessoas da copa, cozinha, churrasqueira e campanha do presidente da República e do candidato a governador pelo PT em São Paulo estavam com dinheiro sem origem comprovada e se preparando para um ato condenável. A pior notícia veio depois: eles ficaram impunes.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Nesta eleição, depoimentos e fatos mostram que estão virando parte da prática política, principalmente do PT, a construção de falsas acusações contra adversários, o trabalho de espionagem a partir da máquina pública, o uso político de locais que não pertencem aos partidos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;As notícias têm se repetido com assustadora frequência. O verdadeiro perigo é que se consagre esse tipo de método da luta política. A democracia não é ameaçada apenas quando militares saem dos quartéis e editam atos institucionais. Ela corre o risco de “avacalhação”, para usar palavra recente do presidente Lula, quando pediu respeito às leis criminosas do Irã.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Sobre o desrespeito às leis democráticas brasileiras, Lula não teme processo de “avacalhação”, pelo visto. A Receita Federal não presta as informações que tem o dever de prestar sobre os motivos que levaram seus funcionários a acessarem, sem qualquer justificativa funcional, os dados da declaração de imposto de renda do secretário-geral do PSDB, Eduardo Jorge. Nem mesmo explica como os dados foram vazados de lá. Se a Receita não divulgar o que foi que aconteceu, com transparência, ela faz dois desserviços: sonega ao país informações que têm o dever de prestar antes das eleições; mina a confiança que o país tem na instituição, porque sua direção está adiando, por cumplicidade eleitoral, a explicação sobre o que houve naquela repartição.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Nas últimas duas semanas, a “Veja” trouxe entrevistas de pessoas diretamente ligadas ao governo e que trabalham em múltiplos porões de campanha. O que eles demonstram é que aquele grupo de aloprados do Ibis não foi um fato isolado. Virou prática, hábito, rotina no Partido dos Trabalhadores. Geraldo Xavier Santiago, ex-diretor da Previ, contou à revista que o fundo de pensão, uma instituição de poupança de direito privado cuja função é garantir a aposentadoria dos funcionários do Banco do Brasil, era usada para interesses partidários. Com objetivos e métodos escusos. Virou uma central de espionagem de adversários políticos. Agora, é o sindicalista Wagner Cinchetto que fala de uma central de produção de espionagem e disparos contra adversários; não apenas tucanos, mas qualquer um que subisse nas pesquisas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Esse submundo é um caso de polícia, mas há outros comportamentos de autoridades que passaram a ser considerados normais nas atuais eleições. E são distorções. Não é normal que todos os órgãos passem a funcionar como ecos do debate eleitoral, usando funcionários pagos com os salários de todos nós, estruturas mantidas pelos contribuintes. Todos os ministérios se mobilizam para consolidar as versões fantasiosas da candidata do governo ou atacar adversários, agindo como extensões do comitê de campanha. Isso é totalmente irregular. Na semana passada, até o Ministério da Fazenda fez isso. Um relatório que é divulgado de forma rotineira, virou palanque e peça de propaganda, com o ministro indo pessoalmente bater bumbo sobre gráficos manipulados para ampliar os feitos do atual governo e deprimir os do anterior. O que deveria ser técnico virou politiqueiro; o que deveria ser prestação de contas e análise de conjuntura vir ou peça de propaganda.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Um governo não pode usar dessa forma a máquina pública para se perpetuar; órgãos públicos não são subsedes de comitês de campanha; fundos de pensão não são central de fabricação de acusações falsas; o governo não pode usar os acessos que tem a dados dos cidadãos para espionar. Isso mina, desqualifica e põe em perigo a democracia. Ela pressupõe a neutralidade da máquina mesmo em momentos de paixão política. Nenhuma democracia consolidada aceitaria o que acontece aqui. A Inglaterra acabou de passar por uma eleição cheia de paixões em que o governo trabalhista perdeu por pouco, mas não se viu lá nada do que aqui está sendo apresentado aos brasileiros com naturalidade, como parte da disputa política. Crime é crime. Luta política é um embate de propostas, estilos e visões. O perigoso é essa mistura. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Como a História já cansou de demonstrar, democracia não significa apenas eleições periódicas. A manipulação da vontade do eleitor, o uso de meios ilícitos, o abuso do governante ameaçam a liberdade, tanto quanto um ato institucional. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6901619208003528257-4883730387384951198?l=saramar-textosdeescrevinhaes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://saramar-textosdeescrevinhaes.blogspot.com/feeds/4883730387384951198/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://saramar-textosdeescrevinhaes.blogspot.com/2010/08/segunda-ameaca.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6901619208003528257/posts/default/4883730387384951198'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6901619208003528257/posts/default/4883730387384951198'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://saramar-textosdeescrevinhaes.blogspot.com/2010/08/segunda-ameaca.html' title='SEGUNDA AMEAÇA'/><author><name>Saramar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13819273331071129441</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_JIb0MX4kGQQ/Rgckv_K9QiI/AAAAAAAAAlA/h7tlJobJs8A/s200/nada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6901619208003528257.post-8602918223985569158</id><published>2010-05-05T15:13:00.000-07:00</published><updated>2010-05-05T15:16:16.630-07:00</updated><title type='text'>MÃE DO PAC: DADIVOSA OU CASTRADORA?</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;strong&gt;Maria Lucia Victor Barbosa&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Durante muitos anos o PT construiu, retocou e inflou uma única figura com o propósito de se alçar junto com ela ao poder mais alto da República. Tratava-se do sindicalista Luiz Inácio da Silva que, posteriormente, adicionou ao seu nome o apelido Lula.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nordestino que ser fez politicamente em São Paulo , homem de origem simples, parco em letras, mas dotado de exuberante verborragia e linguajar popularesco era a imagem ideal a se encaixar num partido que se dizia de esquerda. E, assim, nasceu o mito do representante dos pobres e oprimidos no papel de salvador da pátria, do “proletário” versus o patrão explorador, do paladino da luta de classes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de breve passagem pela elite da classe operária como metalúrgico Luiz Inácio passou viver de política sem grandes problemas de sobrevivência, pois até casa um companheiro lhe fornecia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O PT logrou eleger seu “proletário” deputado federal, cujo desempenho foi medíocre. Mas a meta era mais ambiciosa e, finalmente, na quarta eleição presidencial, a cúpula sindicalista do PT foi ao paraíso. Para trás ficou a ideologia, a classe operária, a propalada ética. Se tinha vindo para mudar o PT fez igual ou pior do que os governos anteriores que duramente criticara. Tornou-se como os demais um partido não de esquerda ou de direita, mas do lado de cima. E o deslumbramento foi tanto que um a um de seus quadros, que poderia suceder ao salvador da pátria ao término de seus mandatos, despencou sob o peso de pesadas denúncias carregadas de escândalo de corrupção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem sucessor a criatura dominou o criador. Já não era Luiz Inácio que dependia do PT para existir, mas, sim, os petistas é que estavam ligados de forma inexorável á única pessoa capaz de manter privilégios alcançados e intrinsecamente ligados ao poder. Desse modo, fez-se a obediência total ao “líder” com algumas cenas de servilismo total e abjeto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem alternativas dentro do partido, Luiz Inácio impôs a candidatura de Dilma Rousseff, sucessora na Casa Civil do todo-poderoso José Dirceu que poderia ter sido o candidato ideal após o período Luiz Inácio. Contudo, como outros companheiros, José Dirceu, chamado por uma autoridade do Judiciário de “chefe da quadrilha do mensalão” e deputado cassado foi obrigado a se recolher em atividades de cunho particular sem, é claro, abrir mão do comando à sombra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mulher por mulher para ser presidente, o plano petista possivelmente havia previsto Marta Suplicy. Porém, Marta perdera duas vezes as eleições para prefeita de São Paulo e pior, nas duas vezes fora em vão apoiada por Luiz Inácio. Então, algum marqueteiro inspirado soprou nas orelhas presidenciais que sobrara Dilma Rousseff. Que fosse ela a escolhida para formar o par perfeito com o pai dadivoso e amantíssimo, uma espécie de santificado padim padi Ciço. Pai e mãe, que mais poderia agradar tanto ao povo criança do Brasil, que sente a necessidade de ser tutelado? E assim nasceu a imagem da mãe do PAC.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a estratégia de conquistar votos em si foi boa, a teoria na prática é outra. Vestir na mulher de fala dura e arrogante, modos viris, carranca denotando constante mau humor a fantasia do eterno feminino de doçura, tolerância e sedução, era tarefa que nem Duda Mendonça, que esculpiu o “Lulinha de paz e amor”, seria capaz de fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além do mais, existe uma ambigüidade na figura materna, que foi bem analisada por Gérard Mendel na obra La Revolte contre le pére, une introduction à la sociopsychanalyse. Menciona o autor “a mãe arcaica, fonte de todos os dons, mas também de todos os males (a mãe cruel, Medéia devoradora dos filhos)... Essa mãe é, portanto, castradora”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por suas atitudes e palavreado, pela falta de empatia, Dilma está mais para Medéia. Então, para ocultar a verdadeira personalidade da candidata presidencial os marqueteiros tentam fazer dela a sombra do pai patriarcal, Luiz Inácio, a mulher submissa ao seu senhor, aquela que vive em função dele, que o chama de chefe, que não diz duas palavras sem mencioná-lo, enfim, uma criatura despersonalizada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao mesmo tempo, Rousseff seria uma cópia feminina do pai Lula, típico machão latino-americano que faz sucesso dizendo palavrão, contando piadas pesadas, gracejando o tempo todo como se o Brasil fosse um enorme bar onde ele se sentisse à vontade entre companheiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa caricatura de si mesma Dilma Rousseff parece perdida, vacilante, confusa, passando a imagem de incompetência política. Nem a plástica nem os demais retoques físicos a que se submete poderiam mudar sua personalidade. Desse modo, a falsa imagem da candidata é um desastre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poderá Rousseff ganhar a eleição? Tudo é possível, sobretudo, quando se leva em conta que tem a seu favor a máquina estatal, eficiente em compra de votos através das bondades presidenciais. É um poderio ilegal, descomunal, antidemocrático que nenhum outro candidato dispõe. Sim, ela poderá ganhar, mas depois não se queixem os eleitores, porque onde Dilma passar nem grama vai crescer. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6901619208003528257-8602918223985569158?l=saramar-textosdeescrevinhaes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://saramar-textosdeescrevinhaes.blogspot.com/feeds/8602918223985569158/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://saramar-textosdeescrevinhaes.blogspot.com/2010/05/mae-do-pac-dadivosa-ou-castradora.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6901619208003528257/posts/default/8602918223985569158'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6901619208003528257/posts/default/8602918223985569158'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://saramar-textosdeescrevinhaes.blogspot.com/2010/05/mae-do-pac-dadivosa-ou-castradora.html' title='MÃE DO PAC: DADIVOSA OU CASTRADORA?'/><author><name>Saramar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13819273331071129441</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_JIb0MX4kGQQ/Rgckv_K9QiI/AAAAAAAAAlA/h7tlJobJs8A/s200/nada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6901619208003528257.post-5346235887462247636</id><published>2010-04-06T14:26:00.000-07:00</published><updated>2010-04-06T14:34:30.570-07:00</updated><title type='text'>SERRA OU DILMA? A ESCOLHA DE SOFIA</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;strong&gt;Rodrigo Constantino&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Tudo que é preciso para o triunfo do mal é que as pessoas de bem nada façam." &lt;/em&gt;(Edmund Burke)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Agora é praticamente oficial: José Serra e Dilma Rousseff são as duas opções viáveis nas próximas eleições. Em quem votar? Esse é um artigo que eu não gostaria de ter que escrever, mas me sinto na obrigação de fazê-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os antigos atenienses tinham razão ao dizerem que assumir qualquer lado é melhor do que não assumir nenhum?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas existem momentos tão delicados e extremos, onde o que resta das liberdades individuais está pendurado por um fio, que talvez essa postura idealista e de longo prazo não seja razoável. Será que não valeria a pena ter fechado o nariz e eliminado o Partido dos Trabalhadores Nacional-Socialista em 1933 na Alemanha, antes que Hitler pudesse chegar ao poder? Será que o fim de eliminar Hugo Chávez justificaria o meio deplorável de eleger um candidato horrível, mas menos louco e autoritário? São questões filosóficas complexas. Confesso ficar angustiado quando penso nisso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando à realidade brasileira, temos um verdadeiro monopólio da esquerda na política nacional. PT e PSDB cada vez mais se parecem. Mas existem algumas diferenças importantes também. O PT tem mais ranço ideológico, mais sede pelo poder absoluto, mais disposição para adotar quaisquer meios – os mais abjetos – para tal meta. O PSDB parece ter mais limites éticos quanto a isso. O PT associou-se aos mais nefastos ditadores, defende abertamente grupos terroristas, carrega em seu âmago o DNA socialista. O PSDB não chega a tanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além disso, há um fator relevante de curto prazo: o governo Lula aparelhou a máquina estatal toda, desde os três poderes, passando pelo Itamaraty, STF, Polícia Federal, as ONGs, as estatais, as agências reguladoras, tudo! O projeto de poder do PT é aquele seguido por Chávez na Venezuela, Evo Morales na Bolívia, Rafael Correa no Equador, enfim, todos os comparsas do Foro de São Paulo . Se o avanço rumo ao socialismo não foi maior no Brasil, isso se deve aos freios institucionais, mais sólidos aqui, e não ao desejo do próprio governo. A simbiose entre Estado e governo na gestão Lula foi enorme. O estrago será duradouro. Mas quanto antes for abortado, melhor será: haverá menos sofrimento no processo de ajuste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Justamente por isso acredito que os liberais devem olhar para este aspecto fundamental, e ignorar um pouco as semelhanças entre Serra e Dilma. Uma continuação da gestão petista através de Dilma é um tiro certo rumo ao pior. Dilma é tão autoritária ou mais que Serra, com o agravante de ter sido uma terrorista na juventude comunista, lutando não contra a ditadura, mas sim por outra ainda pior, aquela existente em Cuba ainda hoje. Ela nunca se arrependeu de seu passado vergonhoso; pelo contrário, sente orgulho. Seu grupo Colina planejou diversos assaltos. Como anular o voto sabendo que esta senhora poderá ser nossa próxima presidente?! Como virar a cara sabendo que isso pode significar passos mais acelerados em direção ao socialismo "bolivariano"?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entendo que para os defensores da liberdade individual, escolher entre Dilma e Serra é como uma escolha de Sofia.Anular o voto, desta vez, pode significar o triunfo definitivo do mal. Em vez de soco na cara ou no estômago, podemos acabar com um tiro na nuca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dito isso, assumo que votarei em Serra, Meu voto é anti-PT acima de qualquer coisa. Meu voto é contra o Lula, contra o Chávez, que já declarou abertamente apoio a Dilma. Meu voto não é a favor de Serra. E, no dia seguinte da eleição, já serei um crítico tão duro ao governo Serra como sou hoje ao governo Lula. Mas, antes é preciso retirar a corja que está no poder. Antes é preciso desarmar a quadrilha que tomou conta de Brasília. Só o desaparelhamento de petistas do Estado já seria um ganho para a liberdade, ainda que momentâneo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Respeito meus colegas liberais que discordam de mim e pretendem anular o voto. Mas espero ter sido convincente de que o momento pede um pacto temporário com a barbárie, como única chance de salvar o que resta da civilização - o que não é muito. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6901619208003528257-5346235887462247636?l=saramar-textosdeescrevinhaes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://saramar-textosdeescrevinhaes.blogspot.com/feeds/5346235887462247636/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://saramar-textosdeescrevinhaes.blogspot.com/2010/04/serra-ou-dilma-escolha-de-sofia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6901619208003528257/posts/default/5346235887462247636'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6901619208003528257/posts/default/5346235887462247636'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://saramar-textosdeescrevinhaes.blogspot.com/2010/04/serra-ou-dilma-escolha-de-sofia.html' title='SERRA OU DILMA? A ESCOLHA DE SOFIA'/><author><name>Saramar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13819273331071129441</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_JIb0MX4kGQQ/Rgckv_K9QiI/AAAAAAAAAlA/h7tlJobJs8A/s200/nada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6901619208003528257.post-5848175943658469078</id><published>2010-04-05T18:39:00.000-07:00</published><updated>2010-04-05T18:49:22.834-07:00</updated><title type='text'>O ESTADO SÃO ELES*</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;strong&gt;Rachel de Queiroz&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No céu claro passaram roncando dois enormes aviões. Pelo feitio ou pela pintura os rapazes conheceram que era da FAB. E um dêles, que ouvira o rádio do jipe, explicou: - É o marechal, que vai ao Cariri fazer propaganda eleitoral.&lt;br /&gt;Lembrou-me a minha velha mestra de música, Dona Elvira Pinho, abolicionista e republicana histórica, mulher de rígida virtude particular e cívica.&lt;br /&gt;Uma de suas alunas era filha do governador e vinha para as aulas no carro oficial.&lt;br /&gt;E D. Elvira interpelava a garôta, em plena classe: “Como vai o nosso automóvel? Você tem agradecido aqui às meninas o empréstimo do carro para você passear?&lt;br /&gt;Sim, porque tanto o automóvel como o motorista, a gasolina, tudo é nosso - nós que pagamos!”&lt;br /&gt;A menina ficava encabulada ou furiosa, não sei, e Dona Elvira, abandonando a teoria musical, dava um aula de boa ética republicana.&lt;br /&gt;Que tudo pertence ao povo, pois quem paga é o povo.&lt;br /&gt;Os governantes que gastam consigo o dinheiro dos contribuintes estão usurpando essas regalias - aliás, a própria palavra está dizendo: regalia - privilégio do rei!&lt;br /&gt;República não tem rei, e, assim, os governantes republicanos não deviam ter palácios para as suas famílias nem carros oficiais para passear os meninos, nem comida e luxo à custa do povo.&lt;br /&gt;Tudo isso abolimos no 15 de Novembro, mas tudo tem voltado - só falta voltar o rei! (como era uso entre os republicanos históricos, D. Elvira só chamava o imperador “o rei”).&lt;br /&gt;Até a ditadura ainda havia um certo pudor.&lt;br /&gt;Talvez porque ainda restassem vivos muitos republicanos da cêpa de D. Elvira.&lt;br /&gt;Com o Estado Novo, todo o mundo amordaçado, sem ninguém para estrilar, o hábito da regalia se universalizou.&lt;br /&gt;Os homens públicos deixaram de separar o que era do Estado e o que era dêles, ou antes, o uso e abuso dos bens públicos passou a ser privilégio dos cargos e, por extensão natural, da parentela dos cargos.&lt;br /&gt;Ninguém se lembra mais da origem do dinheiro com que se custeia o luxo dos poderosos - aquêles ínfimos impostos que o pobre mais pobre tem que pagar: o cruzeiro a mais no preço do feijão, da farinha, do metro de pano, a licença para vender um pé de alface ou um chapéu de palha.&lt;br /&gt;Talvez se êsses aproveitadores da riqueza pública - e entre êles haverá muitos homens honestos - se detivessem um instante a pensar de que pobreza, de que miséria, provém aquela riqueza, que não foi para tal fim que a arrancaram ao triste contribuinte; que aquêle automóvel do seu uso talvez custe dez leitos que faltam num hospital; que aquêle passeio de avião talvez represente mais cem analfabetos; que aquela comissão no estrangeiro valha por alguns quilômetros de estrada; que aquêle piquenique oficial em Brasília talvez esteja custando o DDT que iria acabar a malária numa região inteira ou o barbeiro - em outra; se êles pensassem, talvez recuassem envergonhados, e devolvessem o seu a seu dono.&lt;br /&gt;Mas êles não se lembram. Vêem apenas o dinheiro fácil, abundante, bom de gastar. Dizem que se um não gastar, outro gasta.&lt;br /&gt;E, acima de tudo, convencem-se de que êles próprios e os seus é que representam o Estado, e que emprêgo da fazenda pública em regalias pessoais para os que encarnam o Estado, é tão legítimo quanto os gastos em ordenados de professôras, em remédios para os ambulatórios.&lt;br /&gt;Aquêles dois aviões, gastando material, gasolina e pessoal, tudo pago pelo povo, para que um candidato faça a sua propaganda, sei que é uma gôta de água na torrente dos gastos indevidos de dinheiros públicos, mas são um símbolo, ou uma amostra de como anda completamente desvirtuado aquilo que se pode chamar o pacto de govêrno, feito entre o povo e os seus líderes.&lt;br /&gt;Quando se funda uma nação, o povo promete obedecer aos seus chefes escolhidos e pagar uma percentagem determinada sôbre tudo que produzir, para o sustento da indispensável máquina de direção e defesa nacional.&lt;br /&gt;Os líderes, por sua vez, juram não ser mais que fiéis servidores do povo que os emprega. Mas parecem que juram à falsa fé.&lt;br /&gt;Porque, mal se apanham com a máquina nas mãos, esquecem de quem é o dono e de quem é apenas o gerente.&lt;br /&gt;Transfere para a sua pessoa, a grandeza que só era do cargo. Querem palácios condignos, carruagens condignas, tratamento condigno, privilégios condignos. Aí, a palavra que eles mais apreciam é essa - condigno!&lt;br /&gt;E nessa preocupação de se regalarem a si, acabam esquecendo para que subiram tão alto, e se convencem de que o povo existe apenas para sustentar o Govêrno, e não o Govêrno para servir o povo.&lt;br /&gt;É a velha história da criatura que devora o criador. E a tal ponto chega a confusão de valores que, de consciência limpa e coração aberto, montados no dinheiro do povo, gastando a mãos abertas os impostos que o povo paga, querem convencer o povo, através de veículos, auto-falantes, propaganda impressa que o povo custeia, que são excelentes, honestos e indispensáveis e merecem tôdas as consagrações!&lt;br /&gt;E a gente fica pensando, se aparecer por aí um demagogo que saiba explorar essas contradições tão primárias. Que mostre que pode ser administrador dos dinheiros alheios, sem tirar dêle a parte do leão. Um homem, por exemplo, que pagasse as suas passagens nos aviões, quando quisesse vir arengar às massas do interior. Que morasse em casa sua, que usasse roupa, comida, automóvel, trem - tudo pago com o suor do seu rosto. E que desse uma garantia de continuar assim, mesmo quando a chave dos cofres estivesse em suas mãos. E que fôsse capaz de obrigar os seus subordinados a se portarem também assim.&lt;br /&gt;Que fôrça terrível, que prestígio espantoso não adquiriria um homem dêsses. Um homem que garantisse um govêrno onde o pacto republicano se cumprisse com escrúpulo, onde o dinheiro de escola fôsse para escola, e confisco de dólar do café fôsse mesmo para pagar trigo e gasolina, e verba de soldado fôsse para comprar espingarda e fardamento.&lt;br /&gt;Um homem que realizasse tal milagre - já pensaram o que conseguiria do povo um homem desses.&lt;br /&gt;Até dá vertigens pensar. Talvez o divinizassem, como aos Césares.&lt;br /&gt;E, então, o homem, enlouquecendo com o tamanho da sua fôrça, vendo-se César, iria adquirindo as deformações de todos os Césares, e acabaria esquecendo o pacto inicial que fundara a sua fôrça, - e se corrompia, também e aí começava tudo de novo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Publicado na revista "O Cruzeiro, 12 de setembro de 1959".&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;* o título, bem como a ortografia e a gramática, são da autora e da época em que foi escrito.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6901619208003528257-5848175943658469078?l=saramar-textosdeescrevinhaes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://saramar-textosdeescrevinhaes.blogspot.com/feeds/5848175943658469078/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://saramar-textosdeescrevinhaes.blogspot.com/2010/04/o-estado-sao-eles.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6901619208003528257/posts/default/5848175943658469078'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6901619208003528257/posts/default/5848175943658469078'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://saramar-textosdeescrevinhaes.blogspot.com/2010/04/o-estado-sao-eles.html' title='O ESTADO SÃO ELES*'/><author><name>Saramar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13819273331071129441</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_JIb0MX4kGQQ/Rgckv_K9QiI/AAAAAAAAAlA/h7tlJobJs8A/s200/nada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6901619208003528257.post-8149994453273029564</id><published>2010-03-14T16:50:00.000-07:00</published><updated>2010-03-14T16:54:01.880-07:00</updated><title type='text'>IRONIA?</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;strong&gt;Marcus de Medeiros Matsushita&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Doutor em Sociologia pela Sorbonne&lt;br /&gt;Professor da Universidade do Paraná&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não é irônico? Um governo eleito sob a bandeira do Fome Zero é aliado e defensor de outro que não se importa que pessoas morram de fome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é irônico? Um governo devolve dois pugilistas que fogem da miséria e de uma ditadura em seu país,mas quer manter um criminoso de crimes comuns "por razões humanitárias".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é irônico? Um governo que foi Oposição e cujos dirigentes sofreram perseguições em uma ditadura militar, agora se alia a governos militares e ditatoriais e os defende.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é irônico? Um Partido que em sua primeira eleição democrática para Presidente da República demonizou determinado candidato(Collor) e agora divide o palanque com esse mesmo candidato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois é. O mundo dá voltas. Dá tantas voltas que faz o certo parecer errado, e esquerdo parecer direito.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6901619208003528257-8149994453273029564?l=saramar-textosdeescrevinhaes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://saramar-textosdeescrevinhaes.blogspot.com/feeds/8149994453273029564/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://saramar-textosdeescrevinhaes.blogspot.com/2010/03/ironia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6901619208003528257/posts/default/8149994453273029564'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6901619208003528257/posts/default/8149994453273029564'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://saramar-textosdeescrevinhaes.blogspot.com/2010/03/ironia.html' title='IRONIA?'/><author><name>Saramar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13819273331071129441</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_JIb0MX4kGQQ/Rgckv_K9QiI/AAAAAAAAAlA/h7tlJobJs8A/s200/nada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6901619208003528257.post-7131967863666869737</id><published>2010-03-10T03:59:00.000-08:00</published><updated>2010-03-10T04:02:36.580-08:00</updated><title type='text'>O PESO DO CUSTO BRASIL</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Editorial Zero Hora, de 09/03/2010&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Governo e legisladores, omissos diante do Custo Brasil, estão em descompasso com o dinamismo das empresas brasileiras, num mercado mundial cada vez mais competitivo.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estudo inédito da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos dimensionou as barreiras enfrentadas historicamente pelas empresas em consequência do chamado Custo Brasil. Trata-se da análise de um conjunto de fatores que tiram competitividade da indústria há décadas e que tiveram seus efeitos amplificados nos últimos anos pelo aumento da competição internacional. O dado mais alarmante da análise aponta que, no confronto com empresas dos Estados Unidos e da Alemanha, o setor produtivo brasileiro tem custos 36,27% mais altos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conspiram contra quem produz os impostos, os altos juros, a burocracia, o excesso de regulamentações, a falta de investimentos em infraestrutura, os custos da energia e de insumos básicos e os encargos sociais e trabalhistas. Empreendedores nacionais e estrangeiros com operações no Brasil se defrontam há muito com esses entraves. Mas pela primeira vez, ao analisar oito dos mais de 30 itens do Custo Brasil, tem-se com clareza um painel do peso de cada um para uma comparação com a situação de duas potências mundiais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A conclusão óbvia do estudo é que um país sempre citado entre os candidatos a potência mundial não tem como enfrentar a forte competição sem fronteiras se não superar questões decisivas para a criação de um ambiente propício ao investimento. E não se trata, como observam os técnicos da Abimaq envolvidos com o estudo, de confrontar o cenário brasileiro com o de competidores mais agressivos, como a China, onde os custos de produção são bem mais baixos, em consequência das conhecidas particularidades da ascensão daquele país no cenário internacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A análise informa que esse conjunto de obstáculos estruturais não representa desestímulo apenas às empresas nacionais, mas a todos os que já investiram ou pretendem investir no Brasil. Tanto que a Abimaq cita o exemplo de grupos com tradição na indústria brasileira de máquinas que, por pressão de custos, optaram por importar produtos acabados, apenas gravando suas marcas em equipamentos estrangeiros. Para sobreviver, empresas respeitadas adotam o pragmatismo, o que resulta em abalo na autoestima de quem gostaria de produzir e gerar emprego e renda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O &lt;strong&gt;Custo Brasil &lt;/strong&gt;é a expressão da omissão do governo e dos legisladores, que adiam reformas, ampliam ao invés de reduzir a carga tributária e são indiferentes às aberrações da burocracia. Para desfrutar da recuperação da economia e continuar almejando posição mais privilegiada no contexto mundial, o país não pode desdenhar as conclusões incontestáveis de estudos como o realizado pela Abimaq.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É incompreensível que, num momento em que as empresas vêm se destacando pelo dinamismo, o setor público e os legislativos, em todos os níveis, continuem em descompasso com empreendedores que investem em gestão, na qualidade de seus produtos e na complexa prospecção de novos mercados, para enfrentar competidores cada vez mais fortes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fonte&lt;/strong&gt;: &lt;a href="http://www.blogger.com/www.zerohora.com.br"&gt;Zero Hora&lt;/a&gt;, Porto Alegre, RS&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://www.blogger.com/www.zerohora.com.br"&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6901619208003528257-7131967863666869737?l=saramar-textosdeescrevinhaes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://saramar-textosdeescrevinhaes.blogspot.com/feeds/7131967863666869737/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://saramar-textosdeescrevinhaes.blogspot.com/2010/03/o-peso-do-custo-brasil.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6901619208003528257/posts/default/7131967863666869737'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6901619208003528257/posts/default/7131967863666869737'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://saramar-textosdeescrevinhaes.blogspot.com/2010/03/o-peso-do-custo-brasil.html' title='O PESO DO CUSTO BRASIL'/><author><name>Saramar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13819273331071129441</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_JIb0MX4kGQQ/Rgckv_K9QiI/AAAAAAAAAlA/h7tlJobJs8A/s200/nada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6901619208003528257.post-2060182613610741915</id><published>2009-07-11T12:32:00.000-07:00</published><updated>2009-07-11T12:36:17.779-07:00</updated><title type='text'>SENADORES</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;TEXTO CENTO TRINTA E OITO&lt;br /&gt;POETA CONTEMPORÂNEO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Leio que o Brasil tem três milhões de maconheiros e na América Latina detém o recorde do maior consumo de cocaína. Pois então, o mundo já é piradaço não entendo porque as pessoas querem endoidá-lo mais ainda. Me faz lembrar o caso de York, em Norte Yorkshire, Inglaterra. Neil Goddard, 32, carteiro fumava tanta maconha que não tinha disposição para entregar as cartas e queimava-as queimou milhares de cartas, este cidadão produzia sua própria erva, pois a plantava no seu próprio quarto, ou seja, dormia e acordava doidão, quando foram descobri ainda encontraram milhares de cartas em caixotes, pois a leseira era tanta que ele não tinha mais disposição nem para queimá-las. Quantos amores se perderam no vazio da loucura deste carteiro maconheiro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A próxima passeata pela descriminalização da maconha vai ser virtual, pois os caras vão estar tão doidões que não vão nem sair de casa. Vai ser a primeira passeata virtual do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro-me de uma frase do Bertrand Russell: “Não tenhas inveja daqueles que vivem num paraíso dos tolos, pois apenas um tolo o consideraria um paraíso”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto isto vamos vivendo na terra dos doidões e do faz de conta, dos homens incomuns, onde tudo é o jeitinho os falsetes, o peculato, o furto, o roubo, a lavagem de dinheiro, o estelionato, a formação de quadrilha, o estupro do sigilo bancário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Valéria Freire dos Santos é viúva de ex-motorista de Sarney, mora em prédio exclusivo para senadores ganha 2.313,30 por mês para servir café em expediente de meio período.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;José Adriano neto do Sarney opera esquema de crédito consignado que já movimentou mais de 1,2 bilhões no senado.&lt;br /&gt;Secreto o mordomo de Roseana Sarney ganhava mais de 12 mil reais por mês dinheiro pago pelo senado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma sobrinha de Sarney mora na Espanha e recebe salário do senado.&lt;br /&gt;Os dois picaretas que comandaram a burocracia do senado por 14 anos foram indicados por Sarney.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um outro neto do Sarney ganha mais de 7 mil reais por mês e trabalha no gabinete do Epitácio Cafeteira que é senador pelo Maranhão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tem mais uma carreta dois caminhões e um carrinho de mão de parentes do... Sarney que recebem dinheiro do...Senado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Senado passou a se chamar Sarneylandia, os pernilongos, as baratas, os ratos, as traças, os cupins são todos da família Sarney.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o Fóssil continua dizendo que não renuncia a presidência da Casa não larga o osso gordo nem com choque atômico. Pois não ver motivo para renúncia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Triste fim de um oligárquica, imortal da ABL, que construiu até um museu com dinheiro do contribuinte para guardar suas tristes memórias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Triste Brasília palco de lamentáveis acontecimentos. Quando o filósofo Jean-Paul Sartre esteve visitando esta cidade logo após a construção alguns intelectuais o provocaram a escrever um livro, ele respondeu: Façam uma revolução e verei. O povo que aprendeu a existir na submissão e na bajulação de poderosos só faria uma revolução se fosse à revolução do anus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ainda sobre Brasília a genial Clarice Lispector vaticinou: “Brasília é um futuro que aconteceu no passado. É o fracasso do sucesso mais espetacular do mundo. Brasília é uma estrela espatifada, estou abismada”.&lt;br /&gt;(Luiz) &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6901619208003528257-2060182613610741915?l=saramar-textosdeescrevinhaes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://saramar-textosdeescrevinhaes.blogspot.com/feeds/2060182613610741915/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://saramar-textosdeescrevinhaes.blogspot.com/2009/07/senadores.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6901619208003528257/posts/default/2060182613610741915'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6901619208003528257/posts/default/2060182613610741915'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://saramar-textosdeescrevinhaes.blogspot.com/2009/07/senadores.html' title='SENADORES'/><author><name>Saramar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13819273331071129441</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_JIb0MX4kGQQ/Rgckv_K9QiI/AAAAAAAAAlA/h7tlJobJs8A/s200/nada.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6901619208003528257.post-3179949472033840266</id><published>2009-01-06T17:49:00.001-08:00</published><updated>2009-01-06T17:52:22.254-08:00</updated><title type='text'>"FRAGMENTOS DE SOCIALISMO"</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Demétrio Magnoli*&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Cuba - A crítica não está só nos novos blogs, mas nas ruas; &lt;br /&gt;em Cuba diz-se que há os ‘comuns’, sem privilégios, &lt;br /&gt;e os ‘hijos de papá’, ligados ao partido.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Do topo dos 33 andares do edifício Focsa, o mais alto da cidade, que serviu nos anos gloriosos de residência de trânsito para os soviéticos, sob o jato de um sol aplastante, a paisagem desvenda os quatro tempos de Havana. A leste, além das antigas fachadas imponentes do Malecón, estende-se Havana Velha, o núcleo colonial, circundado pela baía em meia lua e vigiado pelas fortalezas espanholas. Ao redor, bem abaixo, divisa-se o plano ortogonal do Vedado, o bairro de mansões ocupado desde meados do século 19 por uma elite que se separava fisicamente dos pobres. A oeste, espraia-se Miramar, o “novo Vedado” da década de 20 do século passado, cujas mansões abrigam agora as embaixadas e os hotéis de praia. Entre o núcleo colonial e o Vedado, a partir do grande bulevar do Prado, está incrustada Havana Central, a larga seqüência de quarteirões erguidos no início do século 19. De longe, é como se essa faixa intermediária da cidade tivesse sido extensamente bombardeada. Nas suas habitações arruinadas, vivem quase todos os “cubanos comuns” de Havana que escaparam de uma transferência compulsória para os conjuntos habitacionais dos arcos periféricos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Cubanos comuns”, ou “cubanos a pé”, são expressões que se ouvem vezes sem conta nas ruas de Havana. É assim que as pessoas destituídas de privilégios descrevem a si próprias. Os demais são os “hijos de papá”, uma categoria que abrange todos os que, em virtude de relações especiais próximas ou distantes com o partido único, têm acesso regular e legal ao CUC. Peso cubano convertible, CUC, é o pote de ouro no fim do arco-íris. A caça ao CUC converteu-se no esporte nacional cubano. Tê-los significa um pouco de cidadania, expressa sob as formas de sabonete, desodorante, perfume, tênis, carne de vaca, gasolina, um celular “pai-de-santo”, a oportunidade fugaz de navegar na internet. Não tê-los significa vegetar no limbo do peso cubano, a moeda oficial regular, que é a moeda de mentira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Juan e Clara, como os batizo agora, abordaram-me numa rua da zona limítrofe entre Havana Velha e Havana Central. Conversamos, caminhando rápido, transgredindo a regra que proíbe “cubanos comuns” de interagir com estrangeiros. Minutos depois, dois rapazes de azul, policiais adolescentes com salários bem superiores aos de médicos, restabeleceram a ordem. O casal de cubanos teve que apresentar documentos e Juan foi convidado a acompanhá-los à delegacia próxima. Fui junto, apresentei-me como um amigo de anos, inscreveram nossos nomes num livro velho de ocorrências. Democracias administram as coisas. Ditaduras totalitárias só administram os espíritos. Havana Central verga sob a sujeira e um odor entranhado de urina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Solís é professora primária e dá aulas particulares - ilegalmente. É essa sua forma de acesso precário ao CUC. O CUC vale cerca de 20% mais que o dólar e funciona como ponte entre Cuba e a economia internacional. A presença da moeda almejada aumenta com o crescimento do turismo e das remessas de cubano-americanos para seus familiares na ilha. Um CUC vale 24 pesos cubanos, a moeda interna, desprezada. Um professor primário ganha algo em torno de 15 CUCs mensais. Um médico, cerca de 20. Tudo que ultrapassa o limite estrito da sobrevivência é vendido apenas em pesos convertibles. Na África do Sul da minoria branca, o sistema do apartheid separava as pessoas segundo a “raça”. Na Cuba do desmantelamento do socialismo real, estabeleceu-se um apartheid monetário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A palavra apartheid chegou às ruas de Havana. Talvez tenha sido difundida pelos corajosos blogueiros que desenham pátios virtuais de debates num país acostumado há meio século a ouvir apenas as vozes de Fidel Castro e seus bonecos de ventríloquo do partido comunista. O portal desdecuba.com abriga a revista web Contodos e uma série de blogs pessoais, dos editores da revista, que residem na ilha e se apresentam com seus nomes próprios. Entre eles, a blogueira célebre é Yoani Sánchez, que ganhou o prêmio espanhol Ortega y Gasset de jornalismo digital mas foi impedida de viajar para recebê-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fidel Castro, pela primeira vez na história, referiu-se a um dissidente ao acusar Yoani, no prefácio de um livro, de “jogar água no moinho do imperialismo”. Uma resposta desmoralizante saiu no blog do jornalista Reinaldo Escobar, da equipe da Contodos. Ele escreveu: “A responsabilidade que implica receber um prêmio nunca será comparável à de outorgá-lo e Yoani, ao menos, nunca colocou uma condecoração no peito de nenhum corrupto, traidor, ditador ou assassino”. E concluiu: “Faço esse esclarecimento porque recordo perfeitamente que foi o autor dessas reprimendas quem colocou (ou mandou colocar) a Ordem de José Martí nas mais nefastas e imerecedoras figuras possíveis: Leonid Ilich Brejnev, Nicolae Ceausescu, Todor Jukov, Gustav Husak, Janos Kadar, Mengistu Haile Mariam, Robert Mugabe, Heng Samrin, Erich Honecker e outros que esqueci”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A crítica não está apenas nos novos blogs, mas nas ruas, nas conversas cotidianas, e naquilo que dizem os cubanos que, por força da função, estão autorizados a falar com estrangeiros. A reforma da previdência, anunciada numa primeira página de uma edição de julho do Granma, o jornal do partido único, elevará a idade de aposentadoria. Na justificativa oficial, Cuba acompanha as tendências mundiais, que decorrem da dinâmica de envelhecimento da população. “Passamos décadas dizendo que não reproduziríamos as reformas previdenciárias dos outros países. Agora, fazemos exatamente isso. É como tudo mais: perdemos meio século falando mal dos outros e ficamos para trás. Aqui não se produz nada, só se fala.” O motorista de táxi, que batizo Pérez, opera nos circuitos de hotéis e tem algum acesso ao CUC. Não é, nem de longe, um dissidente. Mas ele aponta os campos abandonados do interior, onde se cultivava cana antes do colapso da indústria açucareira cubana, e ironiza a “reforma agrária” anunciada junto com as mudanças na previdência. “As pessoas se mudaram para as cidades. Raúl Castro imagina que alguém voltará para o campo para cultivar as terras ociosas, onde não há nem luz elétrica?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Cuba é o país da propina.” A definição, do guia Rodolfo, outro nome fictício, não tem nenhuma intenção crítica. Rodolfo conduz passeios de jet-ski na laguna de Varadero e tudo que quer é a gorjeta do grupo de turistas ao final do passeio, na hora em que, literalmente, ele passa o boné. A “propina” é a renda verdadeira, em pesos convertibles, de todos os que trabalham num setor turístico em plena expansão. Engenheiros, historiadores, enfermeiras, psicólogas, professores - todos que podem trocam suas profissões por um lugar qualquer, de motorista, guia ou camareira, no almejado setor turístico. Mas não basta querer: é preciso ter contatos. A conquista de um emprego na esfera do CUC depende de indicações políticas diretas ou indiretas, não de qualificações. O preço real de todos os serviços nessa esfera abrange a onipresente e quase inevitável propina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os cubanos ganham a vida depois do trabalho ou nos interstícios do trabalho. É a hora da propina, do bico ilegal em pesos convertibles, do desvio de charutos para o mercado clandestino das ruas. O trabalho não tem valor. Estudar não alarga horizontes. São essas as lições ensinadas todos os dias pela economia política da crise do socialismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rodolfo, como tantos guias, ecoa ritualmente, por costume e inércia, fragmentos de uma cínica propaganda oficial. “Vocês não verão crianças descalças em Cuba.” Não as há, de fato, mas o subsídio governamental ao calçado infantil acabou para sempre há 18 anos. As crianças não andam descalças pois seus pais gastam o que não têm para calçá-las. Tênis e sapatos custam parcela maior dos salários do “cubano comum” que de um brasileiro pobre. “Aqui em Cuba, a escola é obrigatória. Nenhum pai pode deixar seu filho fora da escola.” No Brasil é igual, retruco, para espanto genuíno de Rodolfo, que “aprendeu” na cartilha midiática do regime que fora de Cuba imperam o analfabetismo, a miséria e a fome. “Todos têm acesso a hospitais e médicos gratuitos em Cuba.” Depois da declamação habitual, vêm os detalhes. Os serviços de excelência não são para “cubanos comuns”, mas para estrangeiros e para os círculos da burocracia comunista. A saúde popular cubana é um SUS em miniatura, com sua litania de equipamentos obsoletos, carência de leitos e filas intermináveis para consultas e operações. O agravante recente é a carência de médicos, que saem em missões de política externa na Venezuela e na Nicarágua. “Mas não podemos reclamar, pois é tudo de graça...” No Brasil, reclamamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num país que criminaliza o intercâmbio de informação, proliferam os mitos conspiratórios. Camilo Cienfuegos, camarada de Fidel na Sierra Maestra, morreu num misterioso acidente aéreo em outubro de 1959, quando retornava de Camaguey, onde cumpriu a dolorosa missão de prender seu amigo revolucionário Hubert Matos, o comandante rebelde acusado de traição. Os destroços do avião jamais foram encontrados. A versão de que Fidel tramou a morte de Camilo, apenas uma hipótese histórica, circula como verdade indiscutível entre os “cubanos comuns”. Camilo é como quer ser chamado um estudante da Universidade de Havana que me convidou a pagar-lhe um “trago do Che” e, prudentemente, indicou o caminho do bar caminhando meia quadra à frente. Diante da curiosa mistura de cuba libre, mel e hortelã que serviria para amenizar a asma, ele identificou no episódio o início da degeneração dos castristas. “Aqui, todos trabalhamos compulsoriamente para Fidel.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem tudo é ingenuidade. Encontra-se, entre os “cubanos comuns’, uma intuição política aguçada, que se manifesta especialmente quando se abordam as relações com os EUA. O bloqueio econômico americano funciona como álibi ideal para a ditadura dos Castros, explicam-me em encontros separados Camilo, Juan e Clara. O levantamento do bloqueio cancelaria o núcleo da argumentação governamental. Barack Obama fará isso? - indaga-me Camilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Internet, em Cuba, só em hotéis e lan houses. Uma hora custa seis CUCs. A imensa maioria dos cubanos nunca navegou na rede e poucos sabem da existência dos blogueiros independentes. Todos sabem da história de Guillermo Rigondeaux e Erislandy Lara, narrada de acordo com a versão do regime, pelo Granma, junto com uma profusão de elogios ao governo brasileiro, que os capturou e deportou. “Lula é amigo de Fidel”, explicam os “cubanos comuns”, que continuam a enxergar os boxeadores como heróis nacionais e não escondem o desprezo pelo ato de covardia de Tarso Genro e Lula. O que eles não sabem, pois o Granma não informou, é que Lara fugiu de Cuba há semanas, numa lancha rápida contratada por promotores esportivos alemães.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sair de Cuba pode ser uma aventura mesmo para turistas. Há um novo golpe na praça, aplicado pelos oficiais de imigração, preferencialmente contra idosos, no aeroporto José Martí. Um funcionário que verifica documentos subtrai o visto de entrada. O funcionário seguinte requisita o visto, constata o seu “extravio” e anuncia que, nessas condições, “é impossível sair de Cuba”. Seguem-se visitas estéreis a oficiais fardados e sugestões para que a vítima “procure melhor” o papelucho amarelo na carteira, onde repousa um tesouro em euros ou dólares. A tensão é mantida até depois da última chamada para embarque. Se o turista não entender a mensagem, o visto sumido acaba reaparecendo. Ninguém quer provocar incidentes diplomáticos. Cuba é só o país da “propina”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;*Demétrio Magnoli, sociólogo e doutor em Geografia Humana pela USP, é autor de História da Paz (Contexto) e Terror Global (Publifolha)&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6901619208003528257-3179949472033840266?l=saramar-textosdeescrevinhaes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://saramar-textosdeescrevinhaes.blogspot.com/feeds/3179949472033840266/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://saramar-textosdeescrevinhaes.blogspot.com/2009/01/fragmentos-de-socialismo.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6901619208003528257/posts/default/3179949472033840266'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6901619208003528257/posts/default/3179949472033840266'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://saramar-textosdeescrevinhaes.blogspot.com/2009/01/fragmentos-de-socialismo.html' title='&quot;FRAGMENTOS DE SOCIALISMO&quot;'/><author><name>Saramar</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13819273331071129441</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp1.blogger.com/_JIb0MX4kGQQ/Rgckv_K9QiI/AAAAAAAAAlA/h7tlJobJs8A/s200/nada.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry></feed>
